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Sabor do Cuscuçu e da Farinha d'agua na Terra do Sabra
Por: David Salgado
 
Quando pensei em comemorar os 200 Anos da imigração dos judeus para a Amazônia, não me passou pela cabeça fazer um evento aqui em Israel.
 
Não até bem pouco tempo atrás.

Conversando com um amigo de Manaus que vive aqui em Israel, Abraham David Franco, surgiu a idéia de realizarmos uma cerimônia comemorativa dos 200 anos em Israel, especificamente em Jerusalém para os judeus amazônidas que vivem aqui no país.
 
Fui amadurecendo e estudando todas as possibilidades até que, resumidamente ontem, dia 28 de julho, realizamos e concretizamos esta idéia, e que idéia maravilhosa!

Pasmem, salvo engano, eram cerca 100 pessoas, isso sem contar com alguns que chegaram bem cedo para prestigiar mas que, infelizmente, tiveram que sair logo por motivo de viagem.

Eram jovens, crianças, adultos, famílias inteiras. Paraenses, manauaras, cariocas, até marroquinos mesmo. Vieram de todo o país; Tel Aviv, Haifa, Modiin, Petach Tikvá, Bat Iam, Holon, Hadera, Pardes Hana, Beer Shevá e até o Daniel Azulay, neto da Clarita do CIAM, veio de Eilat para o nosso encontro.

Assim, em plena capital israelense, em Jerusalém, a cidade Sagrada do povo judeu, os representantes "tupiniquis" e ajuricabas de sotaque nortista mesmo, "éééggguuuaaaa", e radreando muita haquitia, comemoraram os 200 anos da presença judaica na Amazonia em Israel.

Houve um pouco de tudo.

O Rabino Daniel Touitou, que por alguns minutos deixou o rabinato e virou historiador para contar resumidamente, a história desta imigração, fez uma revelação que muito nos surpreendeu, disse que seu bisavô teria passado alguns anos na Amazônia, teria adquerido a cidadania brasileira, mas depois, teria retornado para o Marrocos. Essa revelação só vem corroborar com o estudo feito por  Jeffrey Lesser, professor de História e diretor do programa de Estudos da América Latina e do Caribe, na Emory University em Atlanta, Geórgia, EUA, que afirma que além dos mil imigrantes judeus marroquinos que aqui ficaram e se estabeleceram, pelo menos outros mil vieram para o Brasil e depois foram embora. Para quem não sabe o Rabino Touitou é casado com Syme Belicha Fonseca e hoje eles vivem em Petach Tikvá, Israel com seus seis filhos.

Fizemos e apresentamos uma seleção de imagens resumida do Eretz Amazônia (o filme) além de fotos e audio que durou cerca de 20 minutos, tempo mais do que suficiente para deixar a grande maioria com muita água na boca, mas de verdade... é que na apresentação foi mostrado os trechos onde as Sras. Clara Barcessat e Léa Serruaya preparavam os típicos pratos marroquinos, Clarinha a Adafina e Leinha o delicioso Cuscuçu, huuuummmmm.

Como todos um dia fomos olim chadashim, pelo menos, aqueles alí presentes, alguns menos chadashim e outros mais, se é que me entendem, alguém deveria falar sobre a Aliah, ou melhor a "Minha Aliah", e eu não poderia ter feito melhor escolha. Margareth Serruya, quem muito nos ajudou na organização deste evento, corajosamente, por que não é fácil para ninguém contar detalhes de sua própria aliah em público, subiu ao palco e contou-nos os meandros de uma olá chadashá vinda da Amazônia, e o fez brilhantemente.

Depois, chegou o momento de nossa homenagem. Minha idéia desde o início foi homenagear alguma pessoa que pudesse ter o prestígio de muitos para merecer tal honra, e ao mesmo tempo, a humildade de estar alí representando a todos os presentes, já que o Portal Amazônia Judaica, criado por mim e meu irmão, Elias Salgado, desejava homenagear a todos os amazônidas, e como seria muito difícil de fazê-lo, essa pessoa estaria representando-os. Bem, não foi fácil escolher alguém com esses requisitos e essas características, mas quando encontramos, tivemos a certeza de que não haviamos encontrado uma pessoa, mas um casal.

Myriam e Reuven Tobelem. Sim, esse foi o casal escolhido por nós.

Então, Rachel Benchimol, mas conhecida por todos como Baby Benchimol, subiu ao palco para apresentar-nos e contar-nos um pouco sobre o casal Tobelem. Baby passou a dissertar os momentos e fatos marcantes da vida deles ainda no Brasil, em Belém, no Rio de Janeiro quando ainda frequentavam a Shel Guemilut Hassadim e mais recenteme ou talvez não tão recente, em Israel. Baby Benchimol, nascida na comunidade de Manaus e vivendo em Israel a muitos anos, parecia estar falando sobre seus próprios irmãos, tamanha a sua sinceridade e demonstração de amor pelo casal.

Vivendo em Israel a mais de 30 anos, depois de fazer sua aliah na década de 80, o que não deve ter sido nada fácil, o casal Tobelem, hoje, tem em Israel uma família numerosa, graças a D-us, contando com filhas, genros, irmãs, irmão, sobrinhos, sobrinhas, netos e bisneto. "Um belo exemplo de uma bem sucedida Aliah, com honradez, dignidade e acima de tudo, com respeito e carinho por seus irmãos amazônidas, que seguiram o seu caminho e hoje vivem em Israel", está e a frase gravada na linda peça de cerâmica delicadamente trabalhada, mostrando uma Jerusalém em prata e ouro e que foi ofertada pelo Portal Amazônia Judaica e entregue pela, não menos bela neta do casal, Maia Azulay.

Finalizamos o evento cantando o Hatikvá e depois degostando saborosas burecas além de deliciosos biscoitos de todos os tipos e sabores.

Heichal Shelomo, King George 58, no auditório localizado no quarto piso, esse foi o palco de um inesquecível momento para aquelas 100 pessoas que se fizeram presentes.

Algumas, principalmente as senhoras, sairam prometendo para breve transformar o Cuscuçu da D. Léa Serruya num próximo evento. Vamos esperar pra ver.
 

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