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Sefer Torá Centenário
Por Isaac Dahan *
 
Poucos judeus da comunidade atual de Manaus sabem a real história deste Sefer Torá. O que vamos relatar nos foi contado pelo saudoso chacham Jacob Azulay Z”L, líder espiritual do ishuv por mais de cinco décadas.

Supunha-se que fosse uma Torá de origem portuguesa. No período negro da inquisição em Portugal, alguns judeus escolheram Marrocos para viver, levando-a com eles. Em 1810 começa a imigração dos judeus marroquinos para a Amazônia, tendo sua porta de entrada em Belém-PA. Daí em diante, subindo o Rio Amazonas e seus afluentes, foram fincando raízes e formando pequenas comunidades em inúmeras cidades no interior do Pará e Amazonas, como bem o demonstram, em seus maravilhosos livros, o Prof. Samuel Benchimol Z´L (Eretz Amazônia – Os Judeus na Amazônia) e o General Abraham Ramiro Bentes Z”L (Das Ruínas de Jerusalém à Verdejante Amazônia e Primeira Comunidade Israelita Brasileira).

Sabemos que este Sefer Torá foi levado para Itacoatiara-AM, onde floresceu, no início do século XX, uma importante comunidade judaica, tendo inclusive feito um prefeito judeu, Isaac Peres Z”L, tido como o urbanizador da cidade (1926).

O centro da vida judaica no Amazonas era Manaus, para onde vinham estudar os filhos dos judeus que viviam no interior, iniciando um processo de esvaziamento daquelas pequenas comunidades. Entre 1950/1960, praticamente já não haviam mais  judeus em Itacoatiara. O Sefer Torá já fora trazido para Manaus, onde permanece até hoje.

Já tivemos contato do Museu da Diáspora em Israel (Beit Hatefutsot), onde sondaram a possibilidade de transferi-lo para aquela entidade, porém nosso ishuv achou por bem mantê-lo entre nós. Em Israel, certamente que muito bem cuidado, ele seria apenas mais um, entre os inúmeros componentes da história judaica na Diáspora. Para Manaus, ele representa nossa verdadeira saga tão sofrida dos judeus na Amazônia e é como se fosse o guardião dos outros Sifrê Torá que estão no Aron Hakodesh e da própria comunidade. Ele representa séculos de judaísmo vivo, de pessoas que possam ter dado a vida para mantê-lo, guardá-lo e levá-lo a lugares mais seguros. Quantos chaverim, de abençoada memória, não leram suas perashiot.

Em artigo publicado recentemente pela Shavei Israel – Raízes, número 19, de Shevat de 5769, o Rabino Eliahu Birnbaum, shelita, que visitou Manaus e coletou material para exames especializados em Israel, concluiu tratar-se de uma Torá de escrita sefaradi do século XVI, em torno de 1575, de origem espanhola (certamente já escrita fora da Espanha). Corrobora-se então a assertiva das gerações mais antigas desta kehilá, que nos ensinaram que este Sefer Torá teria mais de quatrocentos anos.

Em respeito a tudo isso, este sagrado rolo, já passul, ou seja, impróprio para leitura  pelo peso dos anos, é talvez a maior preciosidade deste nosso pequeno ishuv.


*Isaac Dahan é Chazan da Comunidade de Manaus.
Artigo publicado no livro OR GADOL – Comentários sobre a Torá e as Festas Judaicas – de sua autoria, lançado pela Editora e Livraria Sefer – SP em 2009, em parceria com o Comitê Israelita do Amazonas.

 

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